O Dia Internacional da Mulher foi comemorado a 8 de Março com uma caminhada pela paz e pelos direitos das mulheres. O evento organizado pelo Núcleo de Setúbal do Movimento Democrático de Mulheres (MDM) teve como objetivo assinalar a luta pela igualdade de direitos.
As comemorações do Dia Internacional da Mulher começaram às 09h30 com a oferta de flores às mulheres setubalenses, no Mercado do Livramento, pela União das Freguesias de Setúbal. Às 10h30 teve início a caminhada do MDM, com dois pontos de partida: a Praia da Saúde e a Junta de Freguesia de São Sebastião. O passeio conjunto terminou no Jardim do Quebedo, junto à sede do São Domingos Futebol Clube, onde atuou a Banda do Andarilho, representada por Helena Guerra e Helena Mendes.
“Foi a primeira vez que nos associámos a este evento e estamos muito satisfeitos com isso”, destacou Rui Canas. O presidente da União das Freguesias de Setúbal salientou ainda nesta manhã de convívio que “existe uma série de regressões nos direitos das mulheres que pensámos que com a Constituição de Abril estariam consignados”.
“Por isso acho que é justo este lema do MDM, de que a luta das mulheres é hoje e agora. Não podemos deixar de lutar, não só pelo que já temos, mas também pelo que ainda temos de alcançar. É uma luta conjunta, de homens e de mulheres. Todos nós temos de consagrar estes direitos e torna-los realidade”, sublinhou o presidente da União das Freguesias de Setúbal.
Carla Guerreiro, vereadora da Câmara Municipal de Setúbal, considera que “continua a ser importante que estes dias existam, mesmo que vivêssemos numa sociedade plena de direitos, em que todos tivessem as mesmas oportunidades”. “Nunca é demais lembrar que para chegarmos ao ponto de termos e podermos concretizar os nossos direitos e liberdades foi preciso que muitas pessoas dessem a sua vida, para que hoje pudéssemos estar a falar dos direitos das mulheres. Estes dias são a prova de que houve pessoas que lutaram por nós”, referiu.
Para Nuno Costa, presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, “a construção de uma sociedade justa, inclusiva e solidária” depende da realização de iniciativas solidárias como a de 8 de março. “Sem este tipo de iniciativas não podemos construir essa sociedade de que falamos todos os dias e que queremos”, destacou. “Devemo-nos lembrar todos os dias de que a maior parte destas problemáticas e a desigualdade que existe estão relacionadas com muitos problemas nas questões do trabalho”, acrescentou.
Além da reivindicação da igualdade de direitos em Portugal, as comemorações do Dia Internacional da Mulher motivaram também a realização de uma ação de solidariedade com o povo do Sahara Ocidental, que resultou na plantação de uma oliveira, símbolo da paz, no Jardim do Quebedo.
Sandra Benfica, do secretariado nacional do MDM, referiu que este foi um “ato simbólico, mas também de amor, carinho, afeto e solidariedade pura, que vem dos nossos corações, com as mulheres do Sahara Ocidental”. “Afastados do seu país ocupado por Marrocos, com a cumplicidade de toda a comunidade internacional”, o povo saharaui foi “obrigado a abandonar o seu território de um dia para o outro e, à força das bombas de napalm, obrigado a fugir para o deserto, onde nada cresce. Foram obrigados a edificar o seu país numa terra que não era sua”, destacou Sandra Benfica. “Temos assistido a violações dos direitos humanos, de puro terrorismo”, acrescentou.
Ahamed Fal, representante da Frente Polisario (Frente Popular de Libertação de Saguia El Hamra e Rio do Ouro) em Portugal, salientou que “esta é a realidade que o povo saharaui vive atualmente e há mais de 40 anos, num território inóspito, onde a vida humana é praticamente impossível”. Segundo Ahamed Fal, o povo saharaui “sofre perseguições diariamente, não tem direitos à educação, à cultura ou à saúde”. “É uma situação dramática. Quero também agradecer, em nome do povo saharaui, o afeto e carinho que temos sempre encontrado junto do MDM, que tem-se mostrado sempre solidário”, acrescentou.
A Caminhada pela Paz e Direitos das Mulheres contou com o apoio à realização da Câmara Municipal de Setúbal, da União das Freguesias de Setúbal, da Junta de Freguesia de São Sebastião, da associação de atletismo Lebres do Sado e do São Domingos Futebol Clube.










