Freguesia de Nossa Senhora da Anunciada

Área territorial: 29,17 km2
A fundação da freguesia de Nossa Senhora da Anunciada data de 14 de Março de 1553, após a desanexação da freguesia de São Julião, mas a sua história remonta à Antiguidade, época em que se regista a ocupação humana na área a que se dá o nome de Troino, com especial incidência durante o período romano.
É a partir dos finais do século I a.C. que os romanos constroem complexos industriais de salga de peixe neste núcleo urbano, na Comenda, junto à margem esquerda da Ribeira da Ajuda.
A história da freguesia de Nossa Senhora da Anunciada volta a ter bem presente o desenvolvimento de atividades ligadas à pesca, à exploração e comércio de sal durante o século XIII, período em que Setúbal é repovoada na zona baixa que se estende até ao Troino, após o estabelecimento da Ordem de Santiago nas povoações vizinhas de Alcácer do Sal e Palmela.
Um dos marcos da identidade da freguesia remonta a 1250, data em que se acredita ter surgido a imagem de Nossa Senhora a uma pobre mulher, dando assim origem à criação da Confraria de Nossa Senhora da Anunciada, em 1368.
A crença no milagre e a devoção à santa motivaram a construção da Igreja da Confraria, sedeada no local onde se presume ter ocorrido o milagre, e que mais tarde serviu de igreja paroquial. A esta irmandade deve-se a construção do Hospital e Confraria de Nossa Senhora da Anunciada, sediada na igreja com o mesmo nome, constituída por duas enfermarias, uma feminina e outra masculina.
Entre os séculos XIV e XVI, Setúbal viu crescer várias construções, como a Torre do Outão, em 1390, destinada à proteção do porto, os conventos de São Francisco, em 1410, e de Jesus, em 1490, e a Fortaleza de São Filipe, em 1582.
O desenvolvimento de Troino acentuou-se entre os séculos XV e XVI, expandindo junto ao mar, desde o Sapal de Troino, atual Largo de Jesus, até à Fonte Nova. Após o Terramoto de 1755, esta zona sofreu grandes alterações, sendo de destacar a destruição da igreja paroquial. A capela do Outeiro da Saúde passou a acolher a paróquia, onde se manteve até ao ano de 1878. A 25 de Novembro de 1858, a população reviveu um sismo que provocou a destruição de casas e bens.
Entre os séculos XIX e XX assiste-se à afirmação da indústria conserveira, que contribuiu com uma maior empregabilidade para os habitantes de Troino, em resultado do aumento do número de fábricas dedicadas à conserva de peixe.
Este fenómeno conduziu ao aumento da população que procurava trabalho nas fábricas, tendo a câmara municipal aprovado, em 1886, um projeto de construção de um novo bairro, localizado na Praia do Penedo, para acolher os pescadores. Os trabalhadores da indústria construíram habitações na nova artéria da cidade, a Avenida Luísa Todi, e nos largos em redor, como o Palácio Feu Guião, no Largo da Fonte Nova, e o Palácio Botelho Moniz, no Outeiro da Saúde.
Com a reorganização administrativa de 2013, Nossa Senhora da Anunciada passou a integrar a União das Freguesias de Setúbal, juntamente com São Julião e Santa Maria da Graça. Com uma área territorial de 36,76 km e mais de 38 mil habitantes, a União das Freguesias de Setúbal reúne as áreas do concelho há mais tempo habitadas.
Freguesia de Santa Maria da Graça

Área territorial: 2,74 km2
Santa Maria da Graça é a mais antiga freguesia de Setúbal, fundada em 1248, época em que é criada a primeira paróquia da cidade, ficando a dever-se a esta igreja o seu nome por ser dedicada a Santa Maria da Graça.
A freguesia teve por base laboral os salineiros e posteriormente os pescadores, o que veio a dar origem à indústria conserveira, muito embora se verifique atualmente uma substancial diminuição, quase extinção, desta atividade.
Nos nossos dias, Santa Maria da Graça é fundamentalmente constituída por bairros residenciais, abrangendo ainda parte da zona histórica e comercial da cidade, sendo o comércio a principal atividade económica desta zona.
Estritamente urbana, a freguesia é limitada, a nascente, pela Avenida Luísa Todi junto ao Quartel do 11, passando pela ladeira de São Sebastião, pela Praça do Quebedo, Avenida da Portela, seguindo junto à linha férrea até ao limite do concelho e abrangendo as zonas da Meia-Laranja, Galroas e São Gabriel.
Santa Maria da Graça abrange do lado poente, desde a beira-mar, a Avenida Luísa Todi junto do Fórum Municipal Luísa Todi, passando pelo Postigo da Pedra, ruas Álvaro Castelões e Álvaro Luz, Largo da Conceição, Avenida Alexandre Herculano, Avenida da Independência das Colónias, cruzando a Várzea até ao limite do concelho.
Na freguesia de Santa Maria da Graça é possível encontrar locais de interesse histórico, cultural e turístico, tais como o Fórum Municipal Luísa Todi, a Biblioteca Pública Municipal, o antigo Quartel do 11, atual Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, e a Igreja de Santa Maria, reconhecida como Sé de Setúbal.
Com a reorganização administrativa de 2013, Santa Maria da Graça passou a integrar a União das Freguesias de Setúbal, juntamente com São Julião e Nossa Senhora da Anunciada. Com uma área territorial de 36,76 km e mais de 38 mil habitantes, a União das Freguesias de Setúbal reúne as áreas do concelho há mais tempo habitadas.
Freguesia de São Julião

Área territorial: 4,85 km2
A freguesia de São Julião detém grande parte do centro histórico da cidade, onde é possível encontrar vestígios pré-romanos, sobretudo ligados à salga de peixe, e monumentos e edifícios históricos que contribuíram para enriquecer a identidade de Setúbal ao longo dos séculos. A classificação como divisão administrativa é atribuída somente no século XIX, sendo que São Julião deve as suas origens a razões eclesiásticas.
A Igreja de São Julião é um dos edifícios históricos de destaque na freguesia, situado na atual Praça de Bocage, cuja construção remonta à segunda metade do século XIII. A igreja resistiu a trabalhos de reconstrução em 1513 e a dois terramotos, em 1531 e 1755 que obrigaram a várias alterações na estrutura original do edifício.
O Convento e a Igreja de Jesus são marcos na história da cidade e do país. O edifício do final do século XV desenhado por Diogo Boitaca é considerado um dos primeiros exemplos do estilo manuelino e prima pela utilização prematura nesta época de arcos de volta perfeita, abobadas assentes sobre arcos abatidos e redes de nervuras.
A Igreja de Jesus, bem como o claustro e a Casa do Capítulo do Convento, estão classificados como monumentos nacionais desde 1910 e 1933. Em Dezembro de 2012 foram iniciadas obras no Convento de Jesus com o objetivo de suster a degradação do edifício e possibilitar a sua reabertura ao público.
Na arquitetura civil da freguesia de São Julião destacam-se o Mercado do Livramento e a antiga delegação do Banco de Portugal, ambos localizados na Avenida Luísa Todi. O edifício do mercado foi construído entre 1920 e 1930, constituindo o maior edifício da cidade desenhado em Arte Deco, estilo artístico próprio das décadas de vinte e trinta do século XX.
No que diz respeito ao desenvolvimento urbanístico de São Julião, a freguesia assistiu a um acentuado crescimento na década de 1960, com a expansão dos bairros do Liceu, de Vanicelos, do Montalvão, das Amoreiras e do Ferro de Engomar. Até à data, a zona urbana de São Julião estendia-se apenas até onde atualmente se encontra o Estádio do Bonfim, situando-se a partir desse ponto a área rural.
Com a reorganização administrativa de 2013, São Julião passou a integrar a União das Freguesias de Setúbal, juntamente com Nossa Senhora da Anunciada e Santa Maria da Graça. Com uma área territorial de 36,76 km e mais de 38 mil habitantes, a União das Freguesias de Setúbal reúne as áreas do concelho há mais tempo habitadas.



